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Sobre como organizar o poder (parte 2): autocracias

Caros leitores do novo mundo, hoje iniciamos a parte 2 de nosso artigo sobre como organizar o poder nos nossos mundos. Na primeira parte tratamos da distribuição do poder, nesta trataremos sobre a Fundamentação do poder, ou seja, a justificativa a qual alguma autoridade é legítima no exercício daquele poder. Dado que todo poder seja ele qual for tem que ser percebido como legítimo, sob risco da não efetividade do exercício daquele poder, ou mesmo sob o risco daquele poder ser derrubado quando visto como ilegítimo.

Sobre o Poder: Autocracias

Peguemos no caso das autocracias que vimos no artigo passado, um autocrata pode ser um Rei, ou ditador, ou mesmo um Líder Religioso. Vamos fundamentar o poder dos três em autocracias.

Autocracia Monárquica

Um rei é um nobre, geralmente seu poder é herdado passado de geração em geração e todos os nobres são ligados a ideia da Terra, o domínio de uma terra. Quando falamos de nobreza geralmente temos como referência a chamada Idade Média da Europa Ocidental, especificamente dos herdeiros do Chamado Império Carolíngio. Essa relação de nobreza era baseada em um contrato que chamamos de Vassalagem, onde um senhor oferecia proteção em troca de obediência e trabalho. O Rei é o nobre de quem toda a nobreza deriva suas obrigações, ou seja, o que protege a todos, e por consequência todos lhe devem obediência.

Autocracia Religiosa

Um líder religioso, nas chamadas teocracias (teo = Deus + Cracia = Governo) não tira sua legitimidade de um contrato, como o de vassalagem, mas da própria divindade como sua fundamentação do seu poder. Vejamos por exemplo o Papado, onde o Papa, atualmente Leão XIV, tira sua autoridade como sucessor de São Pedro, na forma de um representante de Deus na terra. O papa é um autocrata da Igreja Católica, e no Estado do Vaticano reina de forma absoluta.

Autocracia Tribal

Um terceiro exemplo de autocracia é dos chefes tribais, que comumente na nossa cultura aparecem como os bárbaros, onde a força física é fonte de sua autoridade, podendo ser desafiado por qualquer concorrente.

Autocracia e Ditaduras

Por fim falemos das ditaduras que são instituições das repúblicas, forma de organização que vem de uma tradição romana. Os ditadores, sejam quais forem, extraem a sua autoridade do que chamamos de legislação de exceção, de Cincinato a Júlio César, de Getúlio Vargas à Ernesto Geisel entendem o exercício da ditadura como algo temporário necessário a salvação pública, visto que apenas um regime de exceção poderia fazer frente a ameaça que se impõe ao Estado. Até hoje ditaduras como a Cubana usam da ameaça, seja interna, ou externa, para justificar a concentração de poderes em uma única figura.

O que é importante é que independentemente da roupagem, o poder sempre precisa se justificar frente a quem ele é exercício. Um ditador e um Rei vão justificar o seu poder de maneiras diferentes, o que pode resultar em campanhas bem diversas no mundo que você está criando.

 


Leia também:
Sobre como organizar o poder (parte 1)

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